domingo, 8 de julho de 2012

50- Sobre que música colocar para as crianças ouvirem

Quero deixar registrado aqui uma mensagem postada na rede do movimento RC Românticos Conspiradores que é uma rede de pessoas interessadas na construção de uma educação de qualidade para os brasileiros e brasileiras.

A mãe, desesperada por deparar com uma situação inadequada da escola com sua filha escreve desabafando e pedindo socorro.

Escreve a mãe:
"Boa tarde,
Chamo-me Ligia e moro em Santo André. Venho recorrer a vocês para saber se por esta região conhecem alguma escola que tenha respeito pelas crianças e que valorize a sede de descobertas das mesmas, período integral, 5 anos completos em Agosto.

Resido próximo ao Corpo de Bombeiros da Martim Francisco, na Vila Lucinda.
Gostaria de propor um diálogo sobre o que acham de uma escola colocar "Eu quero tchu" para as crianças entre 3 e 5 anos dançarem na festa junina.

Eu imaginava que o papel da escola fosse auxiliar a criança no desenvolvimento do senso crítico. e não oferecer esse tipo de música em tão tenra idade, que as crianças cantam sem nem saber o que. O que aconteceu com a cultura do nosso país! Quadrilha com cobra, chuva e ponte quebrada!

Fiquei estarrecida, boquiaberta. Pois fico muito desconcertada e sei lá mais o que quando ele canta em casa. Nem televisão temos em casa....

Depois disso fiquei mais aflita e venho pedir a colaboração no sentido de indicarem uma instituição caso conheçam.

Obrigada e bom feriado aos paulistas e bom final de final de semana a todos e todas.
Ligia"

Em seguida, como um soldado sempre em alerta, um dos maiores e mais experientes educadores da atualidade (José Pacheco de Portugal onde criou a Escola da Ponte - e GRAÇAS À DEUS militando em sua aposentadoria no Brasil) respondeu de imediato:

_______________________________________________
Romanticos Conspiradores
Rc@lists.aquifolium.biz
http://lists.aquifolium.biz/listinfo.cgi/rc-aquifolium.biz

 Responder Encaminhar

José Pacheco zedaponte1951@hotmail.com
19:14 (2 horas atrás)
para rc

"Prezada Lígia, fico grato pela preocupação que manifestas. E lamento que o episódio que relatas não seja um caso isolado. Ainda temos escolas que colaboram na campanha que a mídia brasileira parece estar empenhada: uma campanha para manter os brasileiros no subdesenvolvimento estético, sensível.
Tive conhecimento de que, em alguns jardins de infância, embalam o sono (obrigatório mesmo para quem não tem sono,,,) das crianças com creu e sertanojo.

E, no decurso de um congresso, tive a dolorosa experiência de assistir a um degradante espetáculo, criado por um palestrante: centenas de professoras dançando e cantando "ai se eu te pego", acompanhando com obscenos gestos.
O que poderemos esperar destas atitudes? Sei que esses professores foram vítimas de privações culturais, que não lhes derem outras músicas a ouvir (melhor dizendo, provavelmente, nunca ouviram música...).

Eu sei que foram objeto de uma formação profissional, que não compensou deficites desse tipo. Mas não deixa de ser preocupante que reproduzam uma subcultura reprodutora de "bonsais humanos".
Talvez este possa ser mais um tópico de debate: discutir a educação artística, tão ignorada, ou maltratada nem muitas das nossas escolas.
(se assim for, que se crie um novo link, para evitar a overdose de emails...)
Abraço fraterno.
José"

Bem, caros professores. A resposta de Pacheco já diz tudo.

Vamos nos aliar a esta luta e acreditarmos que ainda nos resta uma esperança: O mercado, pois há pais e mães cheios de bom senso.

terça-feira, 29 de maio de 2012

49- Reprovação no ensino médio na cidade é maior que em Minas


Quero levá-lo a pensar que a culpa não pode cair sobre menores que estão a mercês do sistema e do meio social em que estão vivendo.
O governo, em uma democracia, é o responsável pela formação dos educadores (pais e professores) que por sua vez necessitam ensinar cidadania a seus menores para que não fiquem vítimas do descaso, abandono ou acaso. Leia mais sobre educação em minha coluna http://uipi.com.br/colunas/2012/05/28/periodo-integral-um-bem-que-o-governo-faz-mal/.
Transcrevo aqui a matéria do reporter Frederico Silva sobre o resultado da pesquisa oficial sobre o ensino médio.  
Abraços Ely

17/05/2012 21:31
Reprovação no ensino médio na cidade é maior que em Minas


Wagner Lemos disse que 11 escolas já têm ensino integral

A taxa de reprovação dos alunos do Ensino Médio das escolas públicas de Uberlândia está acima da média nacional. 

Enquanto que em Minas Gerais o índice é de 13,3% e no Brasil de14,1%, em Uberlândia os repetentes chegam a 18,7%. Ou seja, dois em cada dez alunos são reprovados nesta fase escolar. Os dados são do Censo Escolar 2011.

Falhas na metodologia de ensino aplicada, principalmente, nas escolas estaduais, que abrigam 20.577 alunos (98,5% do total), são a principal justificativa dos especialistas para esta realidade. Neste caso, o Instituto Federal do Triângulo Mineiro (Ifet), única instituição pública além das estaduais, que tem 310 alunos, está a parte já que registra taxa de reprovação de 6,1%, melhor inclusive que das escolas particulares que é de 6,3%.

No comparativo com anos anteriores, o índice de reprovação das escolas públicas sempre esteve entre 18,3% e 19,9%, levando em conta dados do Censo Escolar, desde 2007.




De acordo com Ely Paschoalick, psicopedagoga e consultora educacional, a taxa se mantém na mesma média há cinco anos, porque a metodologia também não é alterada.

“O ensino, desde o Fundamental, é mecanicista, trata todos da mesma forma e não leva as dificuldades individuais de cada aluno. Assim, a maioria deles chega ao Ensino Médio com baixa estima e avaliam que como foi difícil chegar ali, será impossível seguir em frente”, afirmou.



O mestre em educação da Universidade Federal de Uberlândia, Eduardo Macedo, afirma que “o aluno chega sem base nenhuma ao Ensino Médio e quando são reprovados acabam abandonando a escola”, disse. A taxa de abandono da rede pública em Uberlândia é de 14,1%. No total, somente 67,2% dos alunos recebem aprovação no Ensino Médio.


Estado

O superintendente regional de ensino Wagner Lemos afirma que a taxa de reprovação da rede pública no Ensino Médio em Uberlândia está acima das médias nacional e estadual, no Censo Escolar 2011, em virtude do tamanho da cidade, já que médias semelhantes são encontradas nos cinco maiores municípios do Estado, como Belo Horizonte e Juiz de Fora.

Segundo ele, a Secretaria Estadual de Educação tem tomado medidas para alterar a realidade. “Já este ano 11 escolas do Estado passaram a ter ensino integral, no ano que vem este número será de 512 escolas e, em 2014, todas as instituições serão alcançadas”, afirmou.

Para a psicopedagoga Ely Paschoalick, o ensino em tempo integral é a única solução para reduzir as taxas de reprovação, mas deve ser aplicado seguindo alguns critérios. 

“Não basta levar o aluno para a escola em dois períodos. É preciso que eles sejam monitorados pelos professores, com incentivo a pesquisa e para dando base de aprendizado, não apenas para passar no vestibular”, afirmou.


Censo Escolar 2011

NOTÍCIAS RELACIONADAS

48- Normas da ABNT para professores nota zero.


Lembro-me de uma discussão com uma professora quando cursava a faculdade de filosofia.

Ela chegava aos sábados para seu horário de aula dupla, ligava o retroprojetor, colocava a sala na penumbra e projetava infindáveis lâminas digitadas em tipos tamanho 12, sem margens.

Depois, com voz monótona lia tudo que estava sendo projetado.

Acompanhava a leitura descendo uma régua que permitia que ela não perdesse tempo procurando em que linha estava.

No dia da discussão, cutuquei a onça com vara curta perguntando-lhe na aula:

_Professora existem normas da ABNT para lâminas de professores ou só para trabalhos de alunos?

Pronto, estava detonada a 3ª guerra mundial.

A temida Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) era um pesadelo a todos os alunos, havia até aqueles que faturavam uma graninha para o lanche formatando os trabalhos dos colegas dentro das normas da ABNT.

Aquela professora era uma grande conhecedora de sua matéria e uma pesquisadora com rigor científico. Eu admirava muito seu conhecimento e muitas vezes me beneficiei com seus comentários objetivos e pertinentes que enriqueciam meus projetos.

Mas no tocante a repassar conhecimento aquela professora era nota zero.

Percebia-se claramente que ela, sendo auditiva, acreditava que para todos nós bastava ouvir para aprender. Ledo engano!

Há, segundo a neurolinguística,  pessoas com percepções auditivas, outras visuais e outras ainda cinestésicas.

Para os auditivos sim, é relevante ouvir as explicações para conhecer e refletir sobre o que está ouvindo, mas para os visuais o importante é ver e para os cinestésicos é primordial que ele receba estímulos do movimento ou seja do fazer ou imaginar fazendo.

Acontece que sou visual e para nós visuais, as lâminas daquela professora, apenas com escritos e sem uma formatação com margens e grifos constituíam uma quase que agressão e contavamos com angústia os segundos que faltavam para o término da aula castigo.
Ivone Boechat em seu artigo: “Ensinar é aprender, não é transmitir conhecimentos” afirma: O professor, como agente de comunicação, transformou-se num dos mais pobres recursos e dos mais ricos. Quando se imagina dono da verdade, rei do currículo, imperador do pedaço, mendiga e se frustra. Quando se apresenta cheio de humildade, de compreensão e vontade de aprender, resplandece e brilha!

Link para colocar nas palavras: Ensinar é aprender, não é transmitir conhecimentos http://www.anj.org.br/jornaleeducacao/biblioteca/artigos/ensinar-e-aprender-nao-e-transmitir-conhecimentos


NOTA ZERO por colocar a sala na penunbra.

NOTA ZERO por acreditar que o conteúdo tem mais peso do que a transmissão do mesmo.

NOTA ZERO por defender uma posição de que basta ouvir para aprender.

NOTA ZERO para professores que lêem suas aulas.

Seria muito bom sim, que os professores pudessem conhecer as diretrizes orientadas pela ABNT para que os treinamentos sejam feitos com êxito.

Aguardo com ansiedade as reformas pluricognicivas dos currículos acadêmicos que já se iniciam no sul de nosso país, pois oferecer recursos didáticos aos professores é o início de uma real reforma didática na educação.

47- ESCANDALOSO ANÚNCIO NO MURAL DA UFU


Publicado no  face – no blog Ely cidadã e no blog Ely e professores

Estava eu saindo de um treinamento na Universidade Federal de Uberlândia quando me deparo com um anúncio no mural onde se ofereciam para fazer teses de término  de cursos de graduação ou pós graduação e quem sabe até mestrado!
O anúncio é este:




É uma escandalosa materialização da grande crise de nosso Ensino Fundamental que reflete no universitário. Já escrevi sobre isto no endereço


O pior é que é uma crise que reflete na moral, na ética, na profissionalização do aluno e até na motivação dos professores que sabem estar corrigindo trabalhos encomendados por seus alunos.

Conheço profissionais que prestam serviços ensinando, orientando e acompanhando alunos a elaborarem suas teses. Mas não é o caso deste anúncio que deixa bem claro o verbo fazer, realizar, executar.
Bem, fica aqui meu registro e meus pareceres. 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

46- RESPONSABILIDADE...RESPONSABILIDADE...REUNIÃO DE ESPONSABILIDADE


Quem chega a Escola da Ponte as sextas-feiras escuta um zum..zum...zum...animado entre todos aguardando ansiosos o horário da REUNIÂO DE RESPONSABILIDADE.

Em todos os murais há a programação do dia e em cada um deles está escrito: 15h00 Reunião de responsabilidade.



É muito interessante este instrumento de formação de cidadania que além de auxiliar o aluno a conquistar sua autonomia também o envolve como participante e gerente de sua própria escola.

Os grupos de responsabilidades constituem um dos dispositivos que possibilita a fidelidade do aluno à escola e sobretudo o GOSTAR DE IR A ESCOLA

Constitui um recurso simples, sem custos  e que pode ser  adotado em qualquer ambiente escolar desde que haja gestão democrática que valoriza a livre escolha.

Nas duas primeiras semanas do ano escolar, quando a escola é “instalada” aos poucos e com todos os seus dispositivos pedagógicos, os murais estão vazios e os alunos se juntam em grupos aleatórios para iniciarem a organização da escola.

PROFESSOR COMO ORIENTADOR EDUCATIVO

Uma das tarefas de todos os alunos nesta “instalação da escola” é se oferecer, pelo menos em três hipóteses de responsabilidade, de acordo com seus desejos e habilidades.

Assim, o aluno faz sua opção e inicia-se um processo comandado pela observação do professor que funcionando como um “ORIENTADOR EDUCATIVO” gerencia um processo de escolha...negociação...responsabilidade...autonomia.

Os GRUPOS DE RESPONSABILIDADES, seus direitos e deveres, suas funções são, ano a ano, elencados de acordo com as necessidades da rotina diária da escola, amplamente discutidos e debatidos até que se forme uma listagem de responsabilidades para funcionar durante aquele ano letivo. Entre elas temos:

5 R = grupo que cuida da reciclagem do lixo
Mural
Jornal
Rádio e computador
Jardim
Eventos
Comenius = grupo que efetua o projeto de intercâmbio com alunos da Alemanha.
Jogos e brinquedos


Além destes GRUPOS DE RESPONSABILIDADE ainda há na gestão feita pelos alunos a diretoria da ASSEMBLÉIA que acontece semanalmente, a COMISSSÃO DE AJUDA que auxilia diariamente nos problemas disciplinares e a comissão de cicerones que recepcionam os visitantes. Desta maneira um mesmo aluno pode acumular dois cargos como por exemplo: secretário da ASSEMBLÉIA e membro do grupo de RESPONSABILIDADE DO JARDIM.


COMO FUNCIONAM OS GRUPOS DE RESPONSABILIDADE
               
Para além da gestão dos conflitos, a gestão da vida na escola é de responsabilidade coletiva, por isso, no início de cada ano letivo se definem as necessidades de organização da escola e se criam grupos de responsabilidade que irão dar respostas a essas mesmas necessidades. Os grupos de responsabilidade (Refeitório, Terrário e Jardim, Clube dos Limpinhos, 3Rs, Eco-Pontos, Arrumação e Material Comum, Biblioteca, Jogos e Vídeo, Jornal, Computadores e Música, Correio da Ponte, Recreio Bom, Mapas de Presença e Datas de Aniversário, Cabides e Guarda-Chuvas, entre outros) surgem precisamente para envolver muito mais o aluno no seu processo de construção pessoal, promovendo uma atitude responsável, colaborativa e um envolvimento que desenvolve em cada um dos alunos a ideia de que Estudar não é só ler nos livros; também é repartir, também é saber dar o que a gente souber dividir para multiplicar.
Com estas palavras os profissionais da Ponte narram um pouco do que é o grupo de responsabilidade.

Cada grupo se institui e se reúne semanalmente para efetuar tudo o que envolve as atividades necessárias para a existência e preservação daquele aspecto a que o grupo se destina.

Assim sendo um grupo de responsabilidade do jardim, por exemplo, vai efetivar as seguintes tarefas:
-decisão do que plantar nos jardins.
-alavancar recursos para os jardins.
-plantio e preservação dos jardins.
-criação de regras para utilização, opiniões e preservação dos jardins pelos colegas.
-organização de campanhas e comunicados para que os colegas saibam o que o grupo anda objetivando.

Enfim, os alunos do grupo de responsabilidade pelos jardins são os organizadores, realizadores, utilizadores e responsáveis pelo jardim como um bem comum a todos da escola.

O grupo de responsabilidade do jornal vai elaborar, confeccionar e divulgar o jornal da escola.

Além destes grupos de responsabilidade, como já explicado acima, os alunos ainda se reúnem em quatro outros grupos muito significativas na formação dos jovens cidadãos que são:

1-Comissão de ajuda que auxilia na construção de um bom comportamento e relacionamento entre os alunos-professores-funcionários-comunidade.

2-Reunião da Assembléia que trata da organização coletiva da escola.

3-Comissão de visitas que se encarregam de não só receber as visitas e demonstrar a escola como também elaborar, divulgar e controlar os direitos e deveres dos visitantes.

4-Reuniões de PARTILHA que são momentos destinados para os alunos compartilharem com os colegas sobre algo em que ele está envolvido como por exemplo um trabalho, uma pesquisa, uma redação ou mesmo algo que ele está vivendo ou experimentando como foi uma partilha que assisti onde a aluna estava a se perguntar se Deus existia ou não.

Bem, mas estes quatro grupos que se reúnem semanalmente em momentos de grande aprendizado são assuntos de outros artigos que escreverei futuramente.

Mesa do grupo de responsabilidade dos jogos do refeitório.

Finalizando quero ressaltar que os grupos de responsabilidade são heterogêneos sendo formados por alunos de diferentes idades e diferentes níveis de aprendizagem e conhecimento de maneira que cada um possa dar o melhor de si para todos.  

A Escola da Ponte, em Portugal, e outras centenas pelo mundo, que nela se inspiram, contam com duas armas que as auxiliam a procurar fazer sempre melhor e com mais exigência na excelência:
ACREDITAR NO QUE FAZ
SER COMUNIDADE.


Mesa do grupo de responsabilidade com os materiais didáticos


Reunião do grupo de responsabilidade do Jornal da Escola da Ponte.

Comunicado gerado pelo grupo de responsabilidade do Jornal e publicado no mural da escola.

Vamos acreditar que há solução para a educação!



















45- NOTA ZERO A QUEM DÁ LIMPEZA COMO CASTIGO VAMOS INSTITUIR COMITÊS DE RESPONSABILIDADE.


Este e outros artigos dando nota zero a professores estão no site


Vamos aprender com a Ponte. 

Sou educadora que defende a educação pela consciência, pela participação, pela partilha, pela convivência, pela  sabedoria de que o meu direito termina quando começa o direito do outro.

Para que tudo acima citado seja introjetado positivamente no cotidiano do indivíduo é necessário que este tenha não só possibilidades de construir e conquistar sua independência como também ter oportunidades de exercer  seus direitos e deveres. 

Quando digo que a Escola da Ponte é um exemplo para Brasil, Portugal e educadores do século XXI seguirem me refiro ao fato de ter ido visitar escolas públicas de educação fundamental em Portugal onde os alunos de mau comportamento são condenados a limpar o pátio. 

Este é um exemplo de educação pelo castigo e humilhação. 

 A pessoa humilhada pode desenvolver um sistema de NÂO SENTIR ou NÂO PENSAR e afasta a mudança comportamental.

É preciso envolver o aluno de maneira que ele escolha obedecer e não obedeça pelo medo ou para agradar.

Pátio é lugar de não sujar e se sujo for, deve-se ter uma comissão DE ALUNOS para limpá-lo apenas para que todos desfrutem de um pátio limpo; apenas porque é necessário haver alguém que o limpe e não para castigar ou humilhar alguém pois não há nada de humilhante ou castigador em efetuar limpezas.

Quando se institui o castigo de limpar o pátio para aqueles que têm mau comportamento em sala de aula, estamos provocando várias conseqüências, provavelmente na contramão da autonomia,  no grupo social.

Vou citá-las enumerando-as com letras, pois não há uma primeira e uma última e muito menos uma mais grave e outra menos grave e necessariamente nem todas acontecem com todos:

                a)Mandar os maus comportados limpar o pátio é um castigo que não é por reciprocidade, isto quer dizer, não há uma conseqüência lógica entre causa e efeito. Não foi quem sujou que tem a limpar e sim quem se comporta mal.

                b) Mandar os maus comportados limpar o pátio é um castigo que possibilita ao que se comporta mal em sala de aula apenas aprende a se comportar mal com mais malícia ou malandragem de maneira a não se deixar ser flagrado, pois se assim o for irá receber um castigo de limpar a sujeira dos outros.

                c)Se instala no grupo social o preconceito de que fazer a limpeza é um castigo que merece as pessoas más enquanto na realidade limpar a sujeira é um ato de higiene necessário em todas as atividades humanas.

                d)Desvincula o grupo que suja da obrigação de manter limpo seu lugar de lazer ou meio ambiente estimulando a irresponsabilidade.

                e)Estimula o grupo que suja a sujar mais pois assim aqueles que lhe atrapalham as aulas serão também atrapalhados por eles. Estimula a vingança e a provocação.

                f)Os alunos condenados a limpar, o farão apenas e somente sobre o efeito da autoridade e do medo de um castigo maior e não sentem prazer em fazê-lo. Tratando-se de ambiente educador a atividade de limpar seu ambiente deve ser prazerosa uma vez que higiene é saúde e saúde é vida e preservar a vida é importante.

Por estas e por outras razões NOTA ZERO A QUEM DÁ LIMPEZA COMO CASTIGO E NOTA DEZ para quem, como a ESCOLA DA PONTE, institui comitês de responsabilidade da limpeza que organiza campanhas de limpeza,  controla as peças dos jogos entre outras atividades.

Na Escola da Ponte os alunos escolhem participar de alguma comissão de responsabilidade onde ele se envolve na conservação do lugar e planejamento das atividades.
 
NOTA ZERO A QUEM EDUCA PELO CASTIGO SEM RECIPROCIDADE.

NOTA DEZ PARA A ESCOLA DA PONTE QUE CASTIGA POR RECIPROCIDADE AQUELE QUE SE ATRASA. Se um aluno na Ponte chega atrasado a alguma atividade, permanece aquele exato período de tempo que se atrasou, sem ir ao pátio ou ao intervalo, para se ocupar dos estudos no período em que se furtou deles por atraso.  Isto é reciprocidade.

  Na Escola da Ponte, o ir e vir com liberdade de escolha é uma prática do respeito e da responsabilidade que cada aluno vivencia na construção de um ambiente organizado. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

44- NOTA DEZ PARA ESCOLA TEIA


O local é próximo ao Parque da Água Branca na capital de São Paulo.


O ambiente é composto de salas temáticas e salas de reuniões para registro onde os professores tutores têm a tarefa de estimular os alunos a registrarem suas hipóteses, suas experiências e suas conclusões, a metodologia é multicultural.

Teia é uma das 5 escolas brasileiras que executam o Projeto CurrículoGlobal


PEQUENAS ATITUDES QUE FAZEM GRANDE DIFERENÇA NO PROCESSO EDUCACIONAL
AUTONOMIA NA ALIMENTAÇÃO

Tudo pronto para que cada criança exercite a autonomia na hora da alimentação através da mini-gôndola. (Cada um escolhe o que quer, o quanto quer  e exercita a educação das mãos ao retirar os alimentos e colocar em seu próprio prato).


UM PEQUENO CANTEIRO ...MUITAS LIÇÕES...

Benditos são os frutos da terra. As crianças aprendem a cultivar, colher e se alimentar da força de seu trabalho no bom aproveitamento da natureza que a cerca. E ainda mais se beneficia do contato com a terra que a acalma e desenvolve a concentração e o senso de observação.



Minha irmã Zelinda Paschoalick, Rosa Bertholini,  diretora da Escola da Teia e eu.
UM GINÁSIO DE MULTI USO


O nome é QUADRA DO MOVIMENTO, a cara é de um amplo ginásio esportivo, com tudo muito carinhosamente planejado. 

Aqui as crianças e os adolescentes que estudam recebem orientações de bem cuidar saudavelmente de seus corpos, de como expressar seus sentimentos através dos movimentos, de comunicação corporal, aprendizado esportivo despertando aptidões e ainda por cima realizam as assembléias que cuidam do comportamento, das emoções e da formação da cidadania.



UMA SOLUÇÃO ECOLÓGICA



As crianças de 4 anos estavam a brincar no jardim quando resolveram prender uma joaninha no copo. Ao perceberem que ela estava triste e sufocada as crianças foram à sala de registro e resolveram desenhar a joaninha, prendê-la no copo e soltar o inseto verdadeiro. 

Desta maneira a professora tutora aproveitou a oportunidade para uma belíssima aula vivenciada e integrada de artes, relações interpessoais, biologia, ecologia, português, matemática e história da humanidade. 

Na hora da foto as crianças estavam conversando e tendo a idéia de fazerem um teatro para relatarem a todos os alunos da escola o fato ocorrido e as decisões tomadas a respeito de maus-tratos a animais.


OFICINAS DE INFORMAÇÃO  E MUITO MAIS



Na escola TEIA em São Paulo, aos moldes da Escola da Ponte de Portugal, cada grupo de alunos é monitorado por um professor Tutor que tem a criativa tarefa de auxiliar os alunos a entrelaçar e registrar os aprendizados de maneira  que os alunos possam, além de se aprofundar mais no conhecimento, comprovar suas hipóteses e aplicar o conhecimento  em sua vida diária.

Bem humorada a diretora nos fala sobre “cachorro que tem muito dono” criticando o sistema vigente no país onde os alunos passam de mão em mão, a cada 45 minutos trocando de professores e nenhum deles assume a responsabilidade sobre o aprendizado e desenvolvimento integral do aprendiz.

Na TEIA os alunos têm contato com os professores especialistas que planejam, em comum acordo com os tutores, projetos e atividades para cada faixa etária, mas os grupos são heterogêneos aos moldes da natureza do relacionamento familiar e humano.

INAUGURANDO NOVO PRÉDIO

Após 7 anos de eficaz prestação de serviços educacionais a TEIA inaugura nova sede e vai provando dia a dia que é possível desenvolver o processo educacional em um ambiente harmonioso onde professores, alunos, família tiram as trincheiras do campo de guerra e se unem para o bem maior daqueles que são a continuidade de nossa espécie. 


NOTA DEZ para escolas aonde a arte conduz o processo de ensino-aprendizagem.

NOTA DEZ para escolas onde o autoconhecimento é meta tangível e alcançada.

NOTA DEZ para escolas em que se preocupam com a atuação dos alunos na construção da sociedade.

NOTA DEZ para a TEIA MULTICULTURAL – Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental.


domingo, 19 de fevereiro de 2012

Como estimular os alunos a irem à Escola? O fim do absentismo escolar.


Ely Paschoalick critica a medida do governo britânico de multar os pais que requisitarem dispensa de aulas a seus filhos. 

Escrevi na semana passada sobre a quantidade de alunos quenão querem freqüentar as aulas e algumas pessoas me disseram que eu não havia tido uma pesquisa plena, apenas conversei com alguns pais e alunos em minha viagem, e que aquilo não poderia ser o hábito ou sentimento da maioria. 

Fiquei meio pensativa... mas hoje as notícias do jornal confirmam minha teoria de que a grande maioria dos alunos do século XXI não quer, não gosta e não se sente atraída pelas aulas que ministram nas escolas. 

Li a matéria que relata sobre a atitude do governo britânico em multar ospais que solicitarem dispensa das aulas para os filhos gozarem férias fora da temporada.

Lembrei-me do meu tempo de mãe de três crianças que não aceitavam faltar às aulas, mesmo quando eu precisava ir viajar com elas. Eram motivadas a estudar e gostavam dos trabalhos escolares que faziam com seus colegas.

Lembrei-me também dos meninos alunos da Escola da Ponte quando perguntei a dezenas deles: É melhor vir para a escola ou o período de férias? E a resposta sempre foi: Escola!

Porque estes alunos são motivados a estudar? A ir para a escola? A assistir aulas? 

Com certeza a resposta é que eles se sentem parte do “andar” da escola e sabem que farão falta aos colegas e que as atividades feitas em suas ausências também lhes farão falta. 

Alguns chegaram até a expressar isto verbalmente, outros se limitaram a dizer: Porque eu gosto muito. Porque eu aprendo muito. Porque é bom. 

Se o governo britânico está, através de seu ministro da Educação, Sr. Michael Gove, necessitando lançar mão de medidas punitivas aos pais para combater o absentismo escolar, é sinal de que as coisas por lá não andam bem.

E que desesperados e cheios de pré-conceitos resolvem anunciar mais uma barbaridade no declínio da educação mundial.

Enquanto o mundo não entender que quem está errada e inadequada é a Escola desvios como este serão utilizados e de nada adiantarão.

É hora dos professores resolverem os problemas de ensinagem com profissionalismo e não com instrumentos de repressão.

Quem é o aluno de hoje? O que ele deseja? O que lhe estimula?

Estas são as premissas iniciais para mudanças educacionais e não a premissa: De quem é a culpa?

Procurar o culpado já fez parte dos passos para a receita para perder. 

Já houve tempo que os culpados eram os professores, outro eram as crianças, em outro tempo a culpa estava no governo, outrora na Lei de Diretrizes e Bases, agora nos pais...

É preciso mudar o sistema escolar, quebrar paradigmas e, no século da comunicação e da interatividade, envolver os alunos em seu próprio processo de aprendizagem. 

Um dos caminhos é o professor tutor como Orientador Educativo e o plano quinzenal planejado e realizado pelo próprio aluno. 

Outro caminho é realmente focar no aluno os 4 pilares da Educação traçados por Jaques Delor's ao final do século XX. 

Caminhos existem e muitos, mas é preciso mudar de rumo.

Vejamos até quanto e quando iremos procurar culpados e fingir que mudamos!!!!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

URGE UMA MUDANÇA EDUCACIONAL MUNDIAL


O caos que está a educação é algo inaceitável. Meninos, meninas e jovens não querendo mais ir para a escola. Violência gerando violência...Ely Paschoalick aponta os fatores motivadores.
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 Até quando,ou até que aconteça o que ... será necessário para que efetivamente comecemos a resgatar a educação internacional?
Ou será que é melhor perguntar: efetivamente construir uma nova forma de educar?
Estou fazendo uma viagem pela Europa – primeiro mundo - e conversando com mães na Suécia, em Portugal Norte, Sul e Centro, na Itália, Espanha e Alemanha a preocupação é a mesma: Cada dia mais os meninos não querem ir para a Escola.
E as mães me perguntam: “O que eu faço? Se eu permitir que meu filho falte da Escola eles me tiram o filho e perco sua guarda, se eu obrigar ele foge e se revolta comigo”. 




É interessante que Suécia e Alemanha são países que pagam aos pais, um dinheiro significativo, se os filhos estão freqüentando a Escola e este dinheiro vai para beneficiar a família e o filho especificamente. E são estes os dois lugares, dos citados acima, onde  mais conheci adolescentes que estavam ameaçados de perder este dinheiro porque estavam faltosos da escola. 

Mesmo ameaçados de perder o benefício financeiro os meninos-moços e as meninas-moças me afirmavam: “Mas a Escola é chata de mais... Eu não gosto de ir lá! Eu não gosto de ficar lá!”

Fico pensando o que está acontecendo?

Eu tenho a resposta, mas quero publicá-la aqui e pedir a sua opinião e seu parecer. 

Daqui da Europa, Deus está me possibilitando ir ao Egito e ao Iraque. Vou continuar minha pesquisa lá. Mas tenho quase a certeza de que encontrarei inúmeros casos assim pois, tenho um amigo que seu filho apanhou de um professor na Escola em um país do Oriente Médio e ficou desejoso de sair da escola. Vejamos...

FATOR 1 = 

Penso que o desestímulo se inicia no FATOR  1 que é o distanciamento entre o sistema escolar e a vida cotidiana do adolescente. 

No dia a dia o adolescente vive com seu celular a passar mensagens, falar com os colegas, ouvir músicas e ver filmes. Na escola é proibido portar seu celular.

Mas Ely, como alguém vai prestar atenção na aula com o celular? Bem, aí é que está o problema, é preciso mudar o sistema de aula, o sistema de “ensinagem” como diz meu amigo Prof. Pacheco da Escola da Ponte “Não há problemas de aprendizagem o que há são problemas de ensinagem!”.




O FATOR 2 é que na escola a comunicação é proibida: Não pode celular, não pode bilhetinhos, não pode bater papo, não pode comentar algo com o colega do lado. 


Mas Ely, como alguém pode prestar atenção na aula conversando? “Quando um burro fala o outro murcha a orelha!”

Bem, aí é que está o problema, como pode em pleno século da comunicação proibir a comunicação entre os alunos? 


A penicilina foi a última invenção da humanidade feita individualmente em 1928 por Alexander Fleming. Dali para a frente tudo que existe como bomba atômica, viagem à lua, avião supersônico, ondas magnéticas, quartzo para o relógio, computador, internet... foram produtos de trabalho em equipe. E a escola pretende que os alunos vão ser motivados aos estudos sendo proibidos de conversar?

Assim mesmo, a penicilina só foi inventada porque Fleming foi conversar com seu colega, Dr. Pryce e lhe mostrar como estava a experiência. 

E depois em 1945, Fleming, Florey e Chain receberam o Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina por este trabalho, um premio recebido em equipe.

Mas a escola quando fala em equipe não fala em cooperação, fala em competição, em pequena guerra para ver que grupo de alunos consegue derrotar outro grupo de alunos...



FATOR 3 – Em pleno século da inclusão, onde as leis protegem as minorias, os direitos dos cidadãos e a inclusão condenando os preconceitos, a escola comete exclusões reprovando alunos e rebaixando-os de sala ou até mesmo de colégios como acontece na Alemanha e em outros países. 

Os sistemas escolares do século XVIII, XIX,XX e ainda do XXI são sistemas fechados, estanques, isolados, divididos e fracionados em séries, salas... Enquanto isto não for quebrado nossos jovens vão se sentir preteridos, desprezados, recusados, excluídos e cada vez mais vão SE DEFENDER NÃO QUERENDO IR PARA A ESCOLA.
 
URGE UMA MUDANÇA EDUCACIONAL MUNDIAL! A solução e as receitas já têm há um século (desde 1908) e você poderá conhecer algumas dela nos artigos




É necessário que o aluno goste de estudar, participe, pense e sinta-se bem pois desejo de aprender, curiosidade e boa conversa com certeza os jovens e crianças do século XXI possuem.
Um beijo no coração de meus ex-alunos que testemunham que o melhor tempo da vida deles foi em minha escola. Sito-me diferenciada, privilegiada e muito grata a Deus por me permitir viver um tempo diferente.